Mãe digital Fevereiro 20, 2009
Posted by Lygia de Luca in adoro!, impressionante, internet, prato do dia, toma essa!, viva la vida.6 comments
Tem coisas que não dá pra guardar só pra gente. Quando sua mãe aprende a usar o computador e a internet, ganha um e-mail e evolui na vida digital, é preciso registrar.
Hoje desafiei minha mãe. Em setembro de 2008, quando me enviou seu primeiro e-mail, ela não conseguia me responder no GTalk. Eu ligava e dizia “mãe, digita ali e aperta ‘enter’!”.
A surpresa pré-carnaval segue abaixo.
É o diálogo do GTalk, que dispensa mais explicações. Morram de inveja, minha mãe é digital e genial! rs.
“me: duvido vc me responder aqui
SONIA: Oi, agora vou preparar um hot dog para o Júnior
me: vc conseguiu!
SONIA: Claro, pensa que sou burra, né?
me: convencida!
SONIA: Ok Lyginha, beijocas mil, agora tenho que parar
SONIA: o que faço agora para sair este quadradinho?
me: clica no x ali do lado do seu nome, à direita”
Bolo de chocolate em 5 minutos Julho 17, 2008
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É sério. Se você for um humano ‘zero à esquerda’ na cozinha como eu, que mal sei onde estão as coisas, talvez você demore uns 10 minutos. Mas fato é, a receita vale. Seja para os dias de TPM, stress ou só para impressionar os amigos céticos quanto à veracidade do produto final, tente. É um SUCESSO.
Fiz o bolo 2 vezes, e na primeira ficou extremamente macio. Na segunda, não medi muito bem os ingredientes (já me achando uma chef dos 5 minutos) e não ficou tão macio, mas continuou altamente comestível.
Ah, se você não acredita, sinta-se consolado: eu também fui cética a princípio, mas literalmente, nesse caso, é ver pra crer.
Ingredientes:
4 colheres de sopa de farinha
4 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de chocolate em pó
1 ovo
3 colheres de sopa de leite
3 colheres de sopa de óleo
1 xícara
Modo de fazer:
Misture a farinha, o açúcar e o chocolate em pó. Acrescente um ovo. Misture e jogue o óleo e o leite. Mexa bem. Coloque no microondas por 3 minutos na potência máxima. Observe o bolo crescendo na xícara, enquanto sente-se um cachorro observando o frango na padoca.
Você pode acrescentar uvas passas, gotas de chocolate ou outras coisas pra deixar seu bolo mais gostoso – doce de leite, cobertura de chocolate…
Já me disseram que o melhor é comer na hora, mas bom, acho que é impossível deixar pra comer depois.
* Dica do Dizzy Dee
CTRL + F para o cérebro Abril 6, 2008
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A expressão já está ficando conhecida. Quanto mais se usa computador e o comando CTRL + F (vulgo “Localizar” no seu browser), mais a gente quer isto pra vida inteira. Bem, ao menos eu e alguns conhecidos podemos garantir a existência desse desejo insaciável.
Outro dia, confesso, tive uns momentos extra-geek na rotina, e me vi pensando como seria realmente legal ativar o CTRL + F em um monte de situação dessa vida.
Olha só pra onde minha imaginação julgou ser per-fei-to usar este comando:
- Em uma biblioteca ou sebo
- Quando marcamos de encontrar alguém em locais tipo “praça de alimentação” ou “festas”
- Em um livro onde há vários termos em sânscrito e, dois capítulos depois de você já ter esquecido algum deles, chega um parágrafo que diz “é preciso X” e, claro, o que é “X”???
- Nos sets de Djs em que você precisa ouvir AQUELE trecho, mas ainda não decorou qual o tempo em que este aparece
- Pra memória (incluem-se aí diversos usos)
- Em supermercados, pra encontrarmos o item “melhor do mundo” – vulgo “o mais barato”
- Em lojinhas de 1 real também!
- Em rodoviárias e aeroportos, pra encontrarmos pessoas, portões e pontos de táxi
- Dirigindo ou caminhando (isso, seria tipo um GPS embutido)
- No metrô, pra corrermos pro vagão mais vazio em horário de rush
E por aí vai… a lista se estenderia quase (ou com certeza) infinitamente. Afinal, restam dúvidas de que CTRL + F é a coisa mais prática desse mundo?
Web 2.0: vítima pessoal da vida Digital Março 9, 2008
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Quando se tem uma existência online, muitas vezes é preciso apagar rastros.
TRIM TRIMMM!
- Alô.
- Oi Ly, é a Anônima, tudo bem? Preciso te pedir um favor.
O favor era deletar uma foto comprometedora. Não havia nudez, sexo explícito, cara inchada de álcool. Mas era algo que uma pessoa nova na vida desta pessoa não gostaria de ver. E estava online. E a solução era deletar, antes que o Google impulsionasse uma briguinha estúpida por causa do passado.
É, os rastros online são mais acessíveis do que uma foto enterrada em uma gaveta perto de um cartão de amor.
Bem, eu não me importo muito. No Orkut, estou inscrita em 628 comunidades, fruto de ociosidade total. Quem me achar saberá que eu abro a geladeira pra pensar, que adoro dar risada (e também rio quando não pode), entre outras coisas importantíssimas, como o fato de eu andar com meus pés.
Ok, mas a real é que me assustei após o TRIM TRIM, um endereço, login e senha anotados para a tarefa inusitada. A surpresa veio maior quando não considerei a imagem comprometedora – nem o texto de descrição.
Isso me fez pensar: o que eu já apaguei pra viver online sem me constranger offline?
Pensando rápido, tinha uma foto minha com os pés enterrados na lama (voluntariamente). Pra não me acharem uma hippie sem escrúpulos, apaguei em prol da vida corporativa.
Mas e se fosse o caso de um novo relacionamento, será que eu apagaria mais coisas ainda? A real é que nunca se sabe até se estar em uma situação X.
Mas a pesquisa do Information Commissioner’s Office, que mostrou que 71% dos jovens britânicos não queriam que “potenciais empregadores” vissem seus dados em redes sociais, confirma: viver digitalmente é delicado, muito delicado.
Afinal, é tudo muito rápido, atraente e sem privacidade. Mas as pessoas tem noção zero disso, na maioria das vezes – comprovo isso quando fuço no perfil das filhas de uma amiga minha, que não tem a menooor vergonha de colocar sua vida em um álbum de imagens. Meu, pode rolar pedofilia! Mas elas não sabem.
E aí, você pensa pra se expor? Desculpa se te obriguei a pensar por uns segundos.
Mas sei que em seguida você vai desencanar e postar aquela foto ou frase, registrando um pedaço do que você é nesta rede de computadores, que cada vez mais é um espelho da humanidade.
Mãos Digitais Fevereiro 8, 2008
Posted by Lygia de Luca in impressionante, tecnologia.5 comments
Responda rápido: há quanto tempo você escreveu alguns parágrafos à mão? Tic tac, tic tac. Você provavelmente vai precisar de mais tempo para malhar os dedos do que para responder a esta intimação.
Se há algum tempo você não colocou sua mão em contato constante com uma caneta ou lápis, comece a ponderar o quão sua escrita é digital.
Qual a necessidade, hoje, de se escrever uma carta quando é muito mais fácil e rápido enviar um e-mail?
Outro dia eu tentei colocar uma crônica que tinha na cabeça no papel. Em nova tentativa, queria anotar uma idéia, que incluía diálogos e tudo o mais.
Daí eu descobri que minhas mãos e minha escrita estão digitalizadas.
Enquanto aos 14 anos eu redigia romances inteiros à mão, hoje eu penso na possibilidade de treinar minha mão direita (sou canhota) para que ela reveze com minha esquerda nos registros manuais.
Por que? Dói pra caramba! Você ainda não percebeu? Então pare por aqui, respire inspiração e tente. Vai doer.
Vou falar, não é que nos dias de puberdade minha mão não doía.
Mas eu me lembro que a saúde dela se mantinha por um período de tempo bem mais longo – afinal, elas eram submetidas rigorosamente à malhação diária das palavras.
E não tenho lembranças de sofrer com dores de tendinite ou doenças tecnológicas similares.
Talvez esteja na hora de promover a “fuga dos teclados”, antes que a tecnologia nos roube habilidades enquanto agrega… tudo que diz que agrega, oras bolas – mas com um adicional de problemas de coluna, visão e… precisa dizer mais?
Deixe um comentário contando a data de sua última aventura aventura séria no papel.
Banha de Peixe Elétrico Novembro 18, 2007
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Tinha um palhaço (sem ironias, era um ator vestido do personagem) vendendo este produto no ônibus.
Achei engraçadíssimo e comprei.
Até pensei em passar. A banha de peixe elétrico é boa em casos de dores musculares, artrites e outros.
A cor é laranja, bem viva.
Na embalagem, a foto do peixe elétrico.
Os amigos me aconselharam a não usar.
E não acho que estão errados.
Mas ainda vou consultar minha avó pra saber qual é a desta banha. Ela deve saber algo. Avós sempre sabem estas coisas.
Furtos no Tim Festival Outubro 30, 2007
Posted by Lygia de Luca in absurdo, impressionante, música.9 comments
Ganhei ingresso pra ver a Björk, no tal Tim Festival. E lá, o que era sonho virou pesadelo.
Começou que umas pessoas entraram com câmera na mão, enquanto outras, como eu, tiveram que abandoná-la à própria sorte em um saco plástico. Vários destes, empilhados como lixo em caixas de papelão.
Pois é, cuidado foi zero, tanto que saí de lá sem lenço nem documento.
Aliás, eu entrei no Tim Festival e, uma hora depois, creio que já estava assim.
Algum segurança ou policial (de muitos que estavam lá só pra azucrinar) ajudou?
Não.
Fizeram cara de paisagem ao ouvir a frase “fui roubada” e se recusaram até a dizer, pelo rádio onde deviam rolar só piadas, que objetos meus podiam ser entregues por alguém honesto. Nem isso, ou seja, não houve uma única esperança de “retire na saída”.
O controle das câmeras era feito por uma comanda patética. Lembro que, em um show dos Los Hermanos, em que era proibido entrar com guarda-chuva, os objetos eram retidos por um processo mais simples e seguro: anotava-se o número do RG em uma etiqueta colada ao mesmo, que só era retirado com o documento original.
E eram só guarda-chuvas, não câmeras digitais.
E lá no almoxarifado digital, um Fábio me explicou que seria impossível que eu encontrasse a minha no meio de milhares ali (após muita insistência), e aconselhou que eu esperasse até o fim do Festival e curtisse a noite.
Claro, pois The Killers entrou 4 da matina e ninguém tem mais o que fazer, né?
Aliás, vale ressaltar que, enquanto eu manifestava meu desespero de perda total num evento tosco com intervalos gigantes entre artistas, alguém da organização discutia com outro alguém algo como: “Precisamos criar uma regra, liberamos ou não. Tem um monte de gente lá dentro com câmera, ou liberamos todas ou não deixamos entrar nenhuma”. Mas aparentemente a conclusão foi zero.
De qualquer forma, minha carteira foi devolvida em um banco Itaú (já que havia um cartão da agência dentro), mas sem o ticket da câmera – que conferi ao ligar pra organização: “não sobrou nenhuma”, disse o Fábio, me consolando com um “isso acontece mesmo”.
Creio, afinal, que todos que estavam ali eram muito necessitados, embora honestos, e não iriam perder a oportunidade de agarrar dinheiro vivo e um ticket de uma Sony de 6 megapixels para si.
Fora estes furtos, outros muitos: a comida estava cara, e muito.
“Como assim? Eu preciso beber, eu vou lá avisar que preciso beber água e que está caro”, me disse um amigo.
Pegar uma bebida era uma jornada interestelar quase impossível. Sem contar quem foi e voltou da tentativa de comer uma pizza sem ninguém avisar que tinha acabado.
Decepção também ficar sentada feito mané aguardando uma hora pro show pós-Björk começar.
Mas os ingressos não estavam 200 reais pra pista e 400, pra área VIP?
Estavam, e foi por isso que eu não ia caso não tivesse gano o presente de última hora.
O mínimo que devia ter havido é respeito – mas não, a organização deixou isto fora da lista de obrigações para um festival com público de 20 mil pessoas.
Amontoá-las feito animais no Anhembi já estava de bom tamanho.
Neste blog, chamaram o Tim Festival de “O Problema é seu”, muito justamente.
No Blue Bus, um desabafo: “O Tim Festival não foi feito pra mim“.
E no Revoluttion (indicação do Gui), um review competente de quem conhece o Tim Festival e sabe o quão ele foi fraco este ano.
Mas justiça seja feita: Björk me fez esquecer quaisquer incompetências inerentes ao ridículo evento. “Don’t let them do that to you”, aos gritos, o momento “rave” no meio do show e um instante que ela parou de braços abertos, para o alto, e a platéia toda imitou.
E ainda uma chuva de papel. Belíssimo espetáculo.

(Foto de Alexandre Schneider/UOL)
Leia o formal review do Fernando Kaida com mais detalhes da pequenina no UOL Música.
Educação X no ônibus Julho 6, 2007
Posted by Lygia de Luca in impressionante.add a comment
Minha mente ainda não tem muito claro o seguinte: por que existem pessoas extremamente educadas e gentis, que te dão o lugar no ônibus (considerando que você não é idoso, deficiente, portador de criança dentro ou fora da barriga) e se desculpam por terem dormido quando você pede licença, com certa vergonha e pena de acordar um sujeito, para poder descer do coletivo, enquanto outros simplesmente fazem absoluta questão de se comportar de maneira contrária?
É apenas uma bobagem que me passou e foi reforçada por a atitude acima, rara nas mais diversas situações e achei que merecia registro, depois que eu li um e-mail que recebi da publicação Trancers Guide to the Galaxy, se desculpando por uma possível demora na entrega do prometido exemplar que eu ganhei há algum tempo atrás. Havia detalhes sobre prazos de entrega para todos os continentes.
Detalhe: a revista já está em casa.
Complicado, né?
Identificação Maio 17, 2007
Posted by Lygia de Luca in impressionante, toma essa!.add a comment
Ainda quando estudava, já era um número. Como criança já fui uma 28 – durante um ano inteirinho. Também me lembro de ter sido, por mais 12 meses, um 32. Menos que três décadas fui uma vez. Ou mais?
Hoje, sou o que devo ser – se me pedem RG, CPF ou título de eleitor, decoradinha, como que de saia pregada xadrez e meias acima do joelho (quando bem arrumadas), respondo:
“impulsos de medo, 103
sintomas neuróticos, 33
propaganda consumida, 1 106
I, iden
ti-fi-ca-ção
(identificação)
cabelos prê
olhos castan
nascimento onze do dé de trinta e sê
alerê-ê-ê-ê
alerê-ê-ê-ê
rg 4654743 São Paulo hum hum
cic dois meia cinco nove zero barra zero zero huuum
alerê …
inps 4 7 3 1 3 8 5 3 hum hum
Ordem dos Músicos 085zé Irará Bahia ia iá
Tempo de vida previsto para o cidadão:
600 mil horas de vida;
abatimento pelo consumo de alimentos envenenados
refrigerantes, remédios e enlatados: 1 125 horas
abatimento pelo salário amarrado
suado, apertado: 1 125 horas
abatimento pelo medo de doenças incuráveis
como cólera e meningite: 1 125 horas
Fio de seu Éwerton e de dona Helena,
testemunhando seu Teófilo e Zé Petu,
ô, Zé Petu.”
___ né, Tom Zé?